terça-feira, 13 de outubro de 2026
POLÍTICA
sábado, 10 de outubro de 2026
POLÍTICA
VERDADE SUBJETIVA
A Justiça flagrou a Injustiça corrompendo miseráveis em uma praça e exigiu explicações sobre sua maneira cínica de deturpar a realidade.
Sem escrúpulos, a Injustiça pisoteava a moral, prostituía a ética, desprezava a estética, violava direitos e saqueava o dinheiro público. Explorava os miseráveis, negociava a dignidade dos vulneráveis e comprava consciências com drogas, esmolas e promessas fajutas. Não queria cidadãos livres, mas dependentes; não queria consciência crítica, mas obediência; não queria progresso, mas submissão.
O tempo passou, e a Injustiça deixou de ser um episódio para se tornar um sistema. Criou tentáculos, infiltrou-se na política, contaminou instituições e fez da impunidade um escudo, da mentira um discurso e da miséria um negócio. Onde deveria haver dignidade, semeou dependência; onde deveria haver liberdade, instalou o cabresto; onde deveria haver justiça, ergueu privilégios.
Agora, a Justiça tenta reunir forças para enfrentar a tirania dos que se escondem atrás da toga, a arrogância do colarinho branco e a corrupção dos que transformam o poder público em balcão de negócios. Afinal, quando a lei serve aos poderosos e pesa apenas sobre os miseráveis, não há justiça: há uma farsa institucionalizada.
O povo não precisa de senhores, salvadores de palanque ou benfeitores de ocasião. Precisa de direitos respeitados, deveres cumpridos, liberdade de consciência e oportunidades reais para construir o próprio futuro. Precisa deixar de ser massa de manobra de quem compra sua necessidade para vender-lhe ilusões.
Porque a Justiça que se ajoelha diante do poder, faz acordos com a corrupção e abandona os vulneráveis trai a própria razão de existir. E uma sociedade que aceita a impunidade como regra, a miséria como ferramenta política e o privilégio como direito adquirido acaba pagando a conta da própria servidão.
Quando a Injustiça governa, a mentira vira discurso, a corrupção vira método e a miséria vira moeda de troca. E quando a Justiça se cala, o povo deixa de ser cidadão para se tornar refém.
ENQUANTO ISSO, NA TERRA DOS JUMENTOS
A capacidade argumentativa dos esquerdistas se resume à grosseria, à desqualificação do próximo e ao uso de um vocabulário ofensivo.
Em vez de apresentar argumentos consistentes e debater ideias com respeito, recorrem a rótulos como “maltratador”, “mentiroso”, “fascista”, “misógino”, “golpista” e “extremista”, além de acusações de autoritarismo e ameaças de destruição.
Quando a divergência é respondida com insultos e acusações, o debate deixa de ser um exercício de ideias e se transforma numa demonstração de intolerância.
Quem não consegue respeitar opiniões divergentes acaba revelando mais sobre a própria incapacidade de dialogar do que sobre aqueles que pretende desqualificar.
ACEITAR O DIFERENTE
Conviver exige maturidade, respeito e compreensão das diferenças. Cada pessoa tem sua profissão, suas experiências, crenças e sua maneira de enxergar a vida. Ao longo do tempo, amadurecemos, aprendemos e entendemos que cada um é cada qual.
A sociedade precisa de leis, regras e limites para que possamos compartilhar espaços e viver em harmonia. Afinal, até entre amigos existem divergências, conflitos pessoais e diferentes formas de interpretar o mundo.
Em um mesmo grupo, há espíritas, católicos, evangélicos e ateus. E daí? Precisamos pensar igual para conviver bem?
A crítica está justamente na dificuldade de aceitar o diferente. Muita gente confunde discordância com desrespeito e transforma diferenças de opinião em conflitos desnecessários.
Maturidade não é concordar com tudo, mas saber respeitar aquilo com que não concordamos. Conviver não significa abrir mão das próprias convicções, mas reconhecer que o outro também tem o direito de pensar diferente.
Afinal, se não aprendermos a respeitar nossas diferenças, como conseguiremos viver em sociedade? Respeitar não é concordar; é entender que a diversidade faz parte da vida.
PIADA SEM GRAÇA
A política dos palhaços, atores, cantores e esportistas perdeu a graça. Parece ter chegado ao fim nestas eleições de 2026. O povo despertou de um pesadelo horrendo ao se deparar com a inutilidade política de figuras como Tiririca, Leila do Vôlei, Thammy Miranda, Romário, Popó, Marcelinho Carioca, Jean Wyllys, Frank Aguiar, entre outros, que ocuparam cargos públicos sem apresentar resultados concretos para o desenvolvimento da sociedade.
Diante disso, ainda resta uma centena de pastores políticos que dominam um enorme rebanho de evangélicos, colocando Deus no meio da politicagem.
Oremos, rezemos e glorifiquemos nossa consciência para continuarmos evoluindo, sem votar nesse tipo de gente e sem repetir votos em politiqueiros de estimação.
O que impressiona também é a quantidade de milionários e bilionários que “venceram” as eleições para deputado federal e estadual. É discrepante ver esse perfil de representante público concentrando poder sobre os recursos públicos. Pessoas fraudulentas, injustas e sebosas. Chega desse câncer.
A reeleição, quando se transforma em perpetuação do poder, age feito uma tormenta devastadora contra o desenvolvimento, impedindo a renovação política de que a sociedade tanto precisa.
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
POLÍTICA
SOFRIDÃO SEM FIM
No Brasil, impressiona o quantitativo de gente idiota, fragmentada pela corrupção, sobrevivendo de migalhas e sem acesso à educação de qualidade.
Impressiona também a pequena parcela de pessoas instruídas que defende terroristas, assim como a proliferação de projetos de subsistência destinados a milhares de necessitados que clamam por desenvolvimento real.
O Brasil está rachado ao meio, e tudo ainda pode piorar diante da hipocrisia legitimada pelos complicadores de plantão.
A FACE DA MALDADE
O poder dos seres malignos é odioso e sanguinário
Afogado em hipocrisia e violência incessante
Tingido de carmesim, mergulhado na escuridão
Onde a crueldade reina e a verdade perde a razão
São forças moldadas pela própria maldade
Demônios que distorcem sentidos e fabricam ilusões
Corrompem a moral, manipulam vontades
E impõem ao espírito correntes e submissões
Seu poder nasce da completa distorção da realidade
Limitam os passos, confundem a consciência
Enganam, corrompem e semeiam a opressão
Até aprisionar a mente dentro da própria escuridão
E VOCÊ?
Ladrão vota no Luly
Traficantes e terroristas votam no Luly
Estupradores votam no Luly
Usuários de drogas votam no Luly
Apostadores votam no Luly
Curinthianos e framenguistas votam no Luly
Povo mal instruído vota no Luly
$TF vota no Luly
Corruptos votam no Luly
Todo tipo de gente hipocrita, arrogante e sem noção vota no Luly
AO PAI DO TIGRINHO
Pé de meia, BETs, taxa das blusinhas, bolsa família, auxílio gás, desenrola, auxílio entregadores, desoneração da gasolina, estes são alguns dos projetos mentirosos, turbulentos e de manutenção da miséria do Governo Luly, que "transfere renda" para aliviar a pobreza imediata.
Mas a população continua enfrentando educação precária, baixa produtividade e poucas oportunidades de emprego. E sem crescimento da renda própria, parte das famílias continua dependendo da assistência, com o Estado precisando manter os benefícios, enquanto permanecem as broncas estruturais que originaram a pobreza.
LULA DE MERDA, LULADRÃO
É inadmissível perceber tanta gente acomodada às mazelas da corrupção, sobrevivendo incessantemente de necessidades governamentais mais básicas, como o Bolsa Família e outros programas que acabam contribuindo para a manutenção do subdesenvolvimento.
Se Lula vencer estas eleições, convictamente irá superar seus números desastrosos de gestão, sendo que, em termos de administração, sua atuação acaba se resumindo à usurpação dos recursos públicos.
A esquerda, com seu estilo ímpar de interpretar e distorcer a realidade, só tem contribuído para a manutenção da miséria e da corrupção nos últimos anos no Brasil — um país de riquezas exorbitantes, formado por gente criativa, habilidosa e honesta, mas que acaba se perdendo em meio às injustiças e aos interesses dos politiqueiros.
Infelizmente, não restará um futuro promissor para o Brasil se esse modus operandi continuar sendo perpetuado no poder.
MAIS DO MESMO
O legado deste $TF - contaminado por interesses ideológicos - é o de blindar, de uma vez por todas, as sujeiras de seus próprios crimes e dos demais personagens infiltrados na política nacional, enquanto a economia pública segue sendo corroída.
E são tantos processos envolvendo políticos acusados de corrupção que acabam esquecidos - forçadamente - nas gavetas. Enquanto isso, vivenciamos novas eleições com as mesmas figuras públicas circulando pelas esquinas, fazendo as mesmas promessas, buscando dar continuidade aos velhos vícios da política e aos interesses do colarinho-branco, mantendo o povo no meio do caos.
terça-feira, 22 de setembro de 2026
CARACH ANGREN
O horror dentro da caixa em Dance and Laugh Amongst the Rotten
Por Michel Sales
Um grupo de jovens se reúne para brincar com um tabuleiro Ouija, tentando estabelecer contato com os mortos. A entidade que responde diz chamar-se Charlie, que apresenta-se como amigo. Só que a brincadeira rapidamente toma outro rumo. As mensagens ficam ameaçadoras, o espírito revela uma natureza cada vez mais hostil e o ritual termina em desastre. E pior, o grupo não consegue fechar o portal que abriu.
Esse é o ponto de partida de Dance and Laugh Amongst the Rotten (2017), quinto álbum do Carach Angren, um dos trabalhos em que a banda retoma de maneira mais evidente seu universo de horror, fantasmas, possessão, morte e fenômenos sobrenaturais, depois da abordagem mais contemporânea e brutal de This Is No Fairytale (2015).
O disco funciona como uma coleção de pesadelos interligados por uma mesma atmosfera. É como se cada faixa fosse uma cena de um filme de terror, com personagens, objetos amaldiçoados e acontecimentos sobrenaturais que pouco a pouco vão formando um universo.
“Opening” cumpre exatamente esse papel: é a abertura de um filme de horror. Piano, cordas e orquestração criam aquela sensação de que alguma coisa antiga e proibida está sendo descoberta. É como abrir uma caixa que deveria permanecer fechada. E, logo depois, vem “Charlie”, colocando o ouvinte diante da entidade que desencadeia boa parte do pesadelo.
Em “Blood Queen”, surge uma figura espectral ligada à morte e à violência. Musicalmente, é uma das faixas mais cinematográficas do álbum, combinando mudanças de andamento, orquestrações grandiosas, vocais extremos e uma atmosfera digna de um filme de horror gótico. A música soa quase majestosa, enquanto a história contada é grotesca. É justamente esse contraste que torna a faixa tão interessante.
“Charles Francis Coghlan” traz uma das histórias mais curiosas do disco porque parte de um acontecimento real. Charles Francis Coghlan foi um ator canadense que morreu em 1899 e foi enterrado em Galveston, no Texas. Anos depois, um furacão destruiu o cemitério e seu caixão acabou sendo levado pelo mar. O corpo foi encontrado posteriormente na costa da Ilha do Príncipe Eduardo, no Canadá, região próxima de onde Coghlan havia nascido.
O Carach Angren transforma esse episódio insólito em uma espécie de balada fantasmagórica sobre um morto que literalmente retorna pelo oceano. É um excelente exemplo da capacidade da banda de pegar um acontecimento histórico e transformá-lo em matéria-prima para o horror.
Em “Song for the Dead”, o álbum assume um tom quase elegíaco. É menos uma explosão de terror e mais uma espécie de canção para os mortos, marcada por uma atmosfera teatral e melancólica. As orquestrações ganham ainda mais espaço e ajudam a construir um dos momentos mais sombrios e contemplativos do disco.
“In de Naam van de Duivel”, cujo título significa “Em Nome do Diabo”, em holandês, mergulha diretamente na temática demoníaca e religiosa. A faixa mantém a lógica do álbum: histórias aparentemente independentes que compartilham o mesmo universo de morte, ocultismo e sobrenatural. Já “Pitch Black Box” apresenta a famosa “caixa preta” como um objeto maldito, um recipiente para aquilo que deveria permanecer escondido. E aqui está uma das grandes sacadas conceituais do álbum: o objeto físico que o ouvinte tem nas mãos passa a fazer parte da própria narrativa.
Em “The Possession Process”, a garota que começou brincando com o Ouija vai sendo progressivamente dominada pelo mundo espiritual que ajudou a abrir. É o momento em que a brincadeira deixa definitivamente de ser brincadeira. O sobrenatural deixa de estar do outro lado do tabuleiro e passa a ocupar o corpo e a realidade dos personagens.
O pesadelo chega ao fim com “Three Times Thunder Strikes”, uma conclusão explosiva para toda essa sequência de acontecimentos. Ao longo do disco, a simples curiosidade pelo sobrenatural vai se transformando em algo completamente fora de controle. E é justamente aí que o conceito do álbum ganha sua melhor sacada: os espíritos estariam presos dentro da própria caixa do CD. Quando você abre o álbum, metaforicamente também está abrindo a caixa e libertando aquilo que estava aprisionado. Ou seja, a história não termina quando o disco acaba. Ela termina quando você percebe que também participou dela.
No fim das contas, Dance and Laugh Amongst the Rotten está entre os trabalhos em que o Carach Angren mais claramente assume sua identidade de “cinema de horror em forma de black metal”. Piano, violinos, coros, orquestrações, efeitos sonoros, diálogos, mudanças bruscas de dinâmica e vocais extremos são utilizados não apenas para criar peso, mas para contar uma história.
Ardek praticamente constrói uma trilha sonora para um filme que não existe, enquanto Seregor funciona como narrador e personagem, conduzindo o ouvinte pelos acontecimentos, e Namtar fornece a sustentação brutal da bateria. O resultado é menos um simples álbum de black metal sinfônico e mais uma experiência narrativa: você coloca o disco para tocar, abre a caixa e, quando percebe, já está dentro do filme.
Nota: 8
segunda-feira, 21 de setembro de 2026
CARACH ANGREN
O preço de brincar com a morte em Franckensteina Strataemontanus
Por Michel Sales
O sexto petardo do Carach Angren, Franckensteina Strataemontanus (2020), é um álbum que reconta Frankenstein, de Mary Shelley, mas partindo do “Frankenstein real”, o alemão Johann Konrad Dippel, transformando sua história numa narrativa de horror, alquimia, necromancia, ciência proibida e pacto demoníaco.
O ponto de partida é Johann Konrad Dippel (1673–1734), que foi um teólogo, médico, alquimista e estudioso alemão associado ao Castelo Frankenstein, perto de Darmstadt. Existe uma teoria — não comprovada historicamente — de que Dippel teria sido uma das inspirações para Victor Frankenstein. A própria banda pesquisou essa possibilidade e a incorporou à sua narrativa.
Antes de pesquisar Dippel, Ardek teve um pesadelo no qual aparecia um homem velho, de aparência sinistra, dentro de uma espécie de casa/castelo antigo. Depois, ao encontrar uma imagem de Dippel durante sua pesquisa, percebeu que o rosto era muito semelhante ao homem que havia visto no sonho.
Assim, a narrativa do Carach Angren imagina Dippel como um homem obcecado pela possibilidade de vencer a morte e criar ou restaurar a vida. A ciência, a alquimia e o conhecimento não são suficientes. Então ele atravessa uma fronteira cada vez mais perigosa: ciência, alquimia, ocultismo, necromancia, pacto demoníaco.
Em entrevista, Seregor explicou que, na versão criada pela banda, Dippel abandona sua fé e, depois de não conseguir alcançar seus objetivos por meio da ciência e de Deus, recorre ao Diabo em busca da imortalidade. Ou seja, o verdadeiro “monstro” não é simplesmente uma criatura ressuscitada. É o homem que acredita que pode ultrapassar todos os limites da natureza.
Segundo o próprio Carach Angren, “Franckensteina Strataemontanus” era uma designação utilizada por Dippel em seus trabalhos universitários. A banda brinca justamente com a ideia de que esse nome estaria na origem da palavra Frankenstein. Por isso o álbum funciona quase como uma espécie de “Frankenstein antes de Frankenstein”. A banda pega a figura histórica que teria alimentado a lenda e constrói sua própria versão da história.
O grupo não quis fazer uma biografia histórica de Dippel. Eles mesmos explicaram que precisaram misturar fatos, lendas e ficção para construir uma narrativa que tivesse a cara do Carach Angren. Além de Dippel, aparecem elementos de outras histórias e figuras do imaginário alemão, como o Vampiro de Nuremberg. Isso é importante porque explica a atmosfera do disco.
Existe uma camada interessante no conceito: quem é o monstro? O próprio Seregor disse que eles enxergavam o álbum como um “monstro” criado pela própria banda. Isso cria um jogo de espelhos: Dippel cria/quer criar um monstro. O Carach Angren cria um álbum-monstro sobre Dippel. E, no fundo, ambos estão falando sobre criação, morte e a tentativa humana de ultrapassar seus próprios limites.
O conceito também influenciou diretamente a sonoridade. A banda incorporou elementos mais industriais, mecânicos e eletrônicos, além da habitual orquestração, justamente para representar esse encontro entre ciência, máquinas, alquimia e horror. Por isso Franckensteina Strataemontanus soa, em vários momentos, como uma espécie de laboratório amaldiçoado em funcionamento: teclados, orquestrações, ruídos mecânicos, atmosferas cinematográficas e o black metal teatral do grupo. A própria faixa-título resume perfeitamente a transformação: galvanismo, alquimia, ciência, feitiçaria, carne, ossos, necromancia e Mephistopheles aparecem misturados na narrativa.
No mais, Franckensteina Strataemontanus é a história de um homem que quer vencer a morte através do conhecimento. Quando ciência, religião e razão não o conseguem entregar aquilo que deseja, ele mergulha no ocultismo e na necromancia, chegando ao pacto demoníaco. O “Frankenstein” do Carach Angren é sobre a obsessão humana de se tornar semelhante a Deus — e o preço de tentar fazê-lo.
Nota: 8
CARACH ANGREN
Sete histórias para um inferno
Por Michel
Sales
sábado, 19 de setembro de 2026
THE MAGUS
O inferno é o caminho da sabedoria em Daemonosophia
Por Michel Sales
Daemonosophia (2026), pedrada do The Magus, é mais um discaralhoooo simplesmente satânico — ou melhor, uma jornada rumo à “Demonhood”, uma busca de conhecimento e transformação pelo Infernal, em oposição ao Divino.
O título já entrega boa parte da proposta. “Daemonosophia” pode ser entendido como uma espécie de “sabedoria demoníaca” ou “sabedoria através do daemon”. Mas o conceito vai muito além da imagem de uma criatura sobrenatural maligna. Para The Magus, o Daemon representa uma dimensão interior, obscura e transgressora do ser humano.
É justamente aí que o álbum começa a ficar mais interessante. Segundo o próprio músico, o Infernal seria mais autêntico e mais próximo da psique humana. Há, portanto, uma inversão deliberada da perspectiva religiosa tradicional: de um lado, Divino → verdade → salvação; do outro, Infernal → conhecimento → transformação. Não se trata simplesmente de “adorar o mal”, mas de mergulhar justamente naquilo que as estruturas religiosas tradicionais colocaram no território do proibido, do impuro e do demoníaco. O Inferno, aqui, deixa de ser apenas um destino de condenação e passa a funcionar como território de investigação.
E The Magus leva essa ideia ainda mais longe ao construir uma espécie de triângulo metafísico, formado por três forças: Lucifer/Samael → Vontade; Tiamat/Leviathan → Sabedoria; Satan/Belial → Ação. Lucifer/Samael ocupa o centro como aquele que possui a chave. De um lado estão Tiamat e Leviathan, associados à Sabedoria; do outro, Satan e Belial, ligados à Ação. A dinâmica é quase uma equação ocultista: Vontade → Sabedoria → Ação. Ou, colocando em termos mais diretos: querer conhecer → conhecer → agir e transformar. A Vontade coloca tudo em movimento. Por isso, Lucifer não aparece simplesmente como o “Diabo” da tradição cristã, mas assume uma função quase prometeica: aquele que possui a chave e abre aquilo que estava fechado.
Uma das frases que sintetizam o conceito do álbum é: “The Six are Three. The Unholy Trinity. The Three are One. The Absolute. São seis nomes — Lucifer, Samael, Tiamat, Leviathan, Satan e Belial —, mas eles se organizam em três princípios fundamentais: Vontade, Sabedoria e Ação. E esses três, por sua vez, formam uma unidade. É quase uma operação simbólica de redução: 6 → 3 → 1. Múltiplas faces, três forças fundamentais e, finalmente, o Absoluto. Daí também a ideia de “The Unholy Trinity”, uma espécie de espelho invertido da Santíssima Trindade cristã. Se a tradição religiosa estabelece uma estrutura sagrada voltada ao Divino, The Magus constrói sua própria trindade a partir do Infernal.
E essa inversão está presente em outro dos conceitos centrais do álbum: “The Truth lies Below, not Above.” Tradicionalmente, o conhecimento superior é associado ao alto: céu → Deus → iluminação → verdade. The Magus vira essa geometria de cabeça para baixo: abismo → Infernal → sombra → verdade. O “Below”, portanto, representa aquilo que foi reprimido, escondido ou considerado inferior. É uma descida ao subterrâneo da própria existência — uma investigação daquilo que a moral convencional manda rejeitar.
Nesse sentido, Daemonosophia dialoga com uma tradição muito mais ampla do pensamento ocultista: a possibilidade de que o conhecimento esteja justamente naquilo que foi colocado à margem, no proibido, na sombra, naquilo que não deveria ser tocado. E é aqui que o daemon como representação da psique ganha força. Se o Infernal está mais próximo da natureza humana, o daemon pode ser entendido como uma representação de desejos, impulsos, vontade, transgressão, instintos, conhecimento proibido, sombra, transformação e autonomia diante de uma autoridade transcendental.
Daemonosophia seria, então, uma espécie de “sabedoria da sombra”. Não necessariamente: “Vou me tornar mau.” Mas: “Vou descer até aquilo que foi chamado de mau e descobrir o que existe ali.” Essa perspectiva dá ao álbum uma dimensão psicológica que vai muito além da parafernália satânica. A própria descrição de Daemonosophia fala em uma “journey to Demonhood”. E isso pode ser entendido como o estágio final dessa jornada. Não basta conhecer o demônio. É preciso tornar-se aquilo que o símbolo representa. A trajetória poderia ser resumida assim: ignorância → conhecimento → vontade → ação → transformação. A “Demonhood”, portanto, seria uma espécie de autotransformação através do contato com o Infernal. É uma inversão completa da narrativa cristã tradicional, na qual aproximar-se do demoníaco representa a queda. Aqui, ocorre justamente o contrário: a descida é o caminho para o conhecimento.
E o repertório acompanha essa construção conceitual. Faixas como “Pater Noster”, “Pseudoprophetae”, “Daemonosophia”, “The Six in Three Is All One”, “The Era of Lucifer Rising”, “Magia Obscura”, “Amelia”, “The Chapel of Iniquities” e “The Pact” ajudam a construir esse universo sombrio, ritualístico e filosófico. “Pseudoprophetae”, por exemplo, aborda os falsos profetas, falsos messias, falsos feiticeiros e mentirosos. A ideia se encaixa perfeitamente na proposta geral do álbum: questionar aqueles que afirmam possuir a verdade absoluta.
No fim das contas, Daemonosophia pode ser encarado como uma espécie de mitologia filosófica da transgressão. É um disco que utiliza o imaginário satânico e ocultista não apenas para provocar — embora provocar faça parte da brincadeira —, mas para construir uma narrativa sobre conhecimento, vontade, sombra e transformação. E talvez a fórmula mais simples para resumir toda essa viagem seja: Daemonosophia = buscar a verdade descendo ao Infernal, transformar conhecimento em vontade e vontade em ação.
É justamente essa estrutura que faz de Daemonosophia algo mais interessante do que uma simples coleção de referências satânicas. Por trás dos símbolos, demônios, abismos e trindades profanas existe uma ideia muito mais humana: para conhecer aquilo que somos, talvez seja necessário primeiro encarar aquilo que aprendemos a esconder.
Nota: 8,5
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