quarta-feira, 22 de julho de 2026

EDUCAÇÃO

Escritora roraimense Pétira Santos levará a literatura amazônica a eventos no Brasil, Itália e França

Por Michel Sales

Foto: Divulgação


Após ser agraciada com o título de Doutora Honoris Causa em Literatura, autora representa Roraima em importantes encontros literários internacionais


A escritora, professora e artista roraimense Pétira Maria Santos se prepara para mais uma série de compromissos que consolidam sua projeção no cenário literário nacional e internacional. Reconhecida pelo trabalho dedicado à valorização da cultura amazônica e dos saberes dos povos originários, a autora participará, nos próximos meses, de importantes eventos no Brasil e na Europa, levando a produção literária de Roraima para alguns dos principais espaços dedicados à literatura e ao patrimônio cultural.

A agenda tem início no dia 22 de agosto, quando Pétira receberá oficialmente o título de Doutora Honoris Causa em Literatura, concedido pela Academia Intercontinental de Artistas e Poetas (AIAP Brasil). Considerada a maior honraria da instituição voltada ao mérito literocultural, a distinção reconhece sua contribuição para a literatura, a educação e a promoção da cultura regional. A escritora foi a única representante da Secção Boa Vista (RR) escolhida para integrar o grupo de homenageados.

Segundo a escritora, “Receber o título de Doutora Honoris Causa e representar Roraima em eventos literários em diferentes países é uma honra que compartilho com todos que acreditam na força da nossa cultura. Minha missão sempre foi mostrar que a literatura produzida na Amazônia tem identidade, qualidade e merece ocupar espaços de destaque no cenário mundial. Cada livro que escrevo é uma forma de preservar nossa memória, valorizar nossos povos e inspirar as novas gerações a conhecerem e amarem a história de Roraima", destacou Pétira Santos.

Na sequência, em 13 de setembro, às 16h, Pétira participa da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, a convite da Antologia da ABARS, coletânea organizada pela Academia de Belas Artes do Rio Grande do Sul. O evento é um dos maiores do mercado editorial brasileiro e reunirá escritores de diversas regiões do país.

A programação internacional continua em 30 de outubro, quando a escritora estará na Itália para participar da cerimônia do Prêmio Oltre Le Parole. Na mesma viagem, também integrará a programação do Grand Prix du Patrimoine Culturel du Brésil, realizado no Museu do Louvre, em Paris, iniciativa que reúne personalidades e instituições dedicadas à valorização do patrimônio cultural brasileiro no exterior.

PERFIL

Natural de Boa Vista, Pétira Santos construiu uma carreira marcada pela integração entre literatura, educação e arte. Professora, pesquisadora, poeta e produtora cultural, dedicou décadas à formação de educadores e ao fortalecimento do ensino das artes em Roraima. Na UFRR (Universidade Federal de Roraima), contribuiu para a criação do curso de Artes Visuais e atuou durante 17 anos na formação de novos profissionais. Sua produção acadêmica e literária destaca a identidade amazônica, as manifestações culturais e os conhecimentos dos povos originários, transformando esses elementos em patrimônio literário.

Ao longo da carreira, a autora conquistou reconhecimento dentro e fora do Brasil. Integra academias de literatura e artes em países como Portugal, Itália e Reino Unido e recebeu distinções como a Comenda Pablo Neruda, o Prêmio Destaque Literário, o Troféu Mulheres Fortalezas, a Medalha de Ouro Cidade de Manaus e a honraria Homem Vitruviano, entregue em Paris. Sua obra A Magia de Makunaima, posteriormente adaptada para animação, foi premiada internacionalmente em Boston, ampliando a presença da literatura roraimense no cenário mundial.

Pétira Santos tornou-se uma referência na preservação da memória cultural de Roraima. Por meio de livros, pesquisas, palestras, oficinas e projetos pedagógicos, construiu um legado voltado à valorização da identidade amazônica e à formação de novas gerações de leitores. Seu trabalho universal evidencia a literatura produzida na Amazônia, levando a história, a cultura e os saberes de Roraima a importantes centros culturais.

terça-feira, 21 de julho de 2026

LEGADO ESTRIDENTE

Os sete discos essenciais do Grave Digger

Por Michel Sales

Com uma discografia que já soma 22 álbuns de estúdio, o Grave Digger construiu uma trajetória marcada por altos e baixos, reunindo trabalhos excelentes, outros apenas bons e alguns que dividem opiniões — algo natural para uma banda com mais de quatro décadas de carreira.

Mas como acontece com qualquer grupo de longa duração, cada fã tem sua própria seleção de favoritos. Há quem defenda um período específico, quem valorize todas as fases da banda e até aqueles que apreciam cada lançamento sem fazer distinções.

Ainda assim, existe um consenso difícil de contestar: mesmo o fã mais exigente dificilmente deixaria de reconhecer a importância de Heart of Darkness (1995), Tunes of War (1996), Knights of the Cross (1998), Excalibur (1999), The Grave Digger (2001), Rheingold (2003) e Ballads of a Hangman (2009). Esses álbuns representam o auge criativo da banda e consolidaram o Grave Digger como uma das maiores referências do heavy metal alemão.

Vamos aos discos:

A sequência entre Heart of Darkness (1995) e Rheingold (2003) é considerada por muitos fãs o auge criativo do Grave Digger. Nessa fase, Chris Boltendahl transformou a banda em uma referência do heavy/power metal com álbuns conceituais baseados em literatura, história e mitologia. Já Ballads of a Hangman marca uma mudança de direção, abandonando os grandes conceitos narrativos em favor de histórias independentes.

HEART OF DARKNESS (1995)

Este disco foi inspirado livremente na novela "Heart of Darkness", de Joseph Conrad, a mesma obra que inspirou o filme Apocalypse Now. E diferente dos discos posteriores, não conta uma história única, mas reúne músicas sobre ódio, traição, morte, loucura e ocultismo.

O álbum é considerado o mais sombrio da banda, tanto nas letras quanto na sonoridade. A faixa "Circle of Witches" ganhou videoclipe. Foi o último disco antes da banda mergulhar definitivamente nos álbuns conceituais históricos.

TUNES OF WAR (1996)

Talvez seja o disco mais amado pelos fãs. Retrata cerca de 700 anos de história escocesa, desde os conflitos medievais até a derrota jacobita em Culloden (1746). Canções como: William Wallace (Braveheart), The Bruce, The Battle of Flodden, Culloden Muir.

O álbum utiliza gaitas de fole reais, dando autenticidade ao clima escocês. Foi lançado um ano depois do sucesso do filme Braveheart, mas o projeto já vinha sendo desenvolvido antes. É o primeiro capítulo da chamada Middle Ages Trilogy.

KNIGHTS OF THE CROSS (1998)

Este segundo capítulo da trilogia narra a ascensão e queda da Ordem dos Templários, misturando fatos históricos com elementos lendários e religiosos. As letras passam pela Primeira Cruzada, pela fundação da Ordem e pelo processo conduzido pelo rei Filipe IV da França. "The Curse of Jacques" homenageia Jacques de Molay, último Grão-Mestre templário. É um dos discos mais pesados da carreira da banda.

EXCALIBUR (1999)

Última parte da trilogia medieval, Excalibur é baseado principalmente nas obras de Thomas Malory e na tradição arturiana. Nele aparecem personagens como: Rei Arthur, Merlin, Morgana, Lancelot e Guinevere. Sua narrativa acompanha desde a espada Excalibur até a queda de Camelot. Musicalmente é mais melódico e épico que os dois anteriores.

THE GRAVE DIGGER (2001)

Depois da trilogia histórica, a banda mudou completamente de cenário. Inspirado em escritores como: Edgar Allan Poe, H. P. Lovecraft, Bram Stoker. Cada faixa apresenta uma história de horror diferente. Há referências a: vampiros, fantasmas, cemitérios, loucura e maldições. The Grave Digger é considerado um retorno às raízes mais sombrias iniciadas em Heart of Darkness.

RHEINGOLD (2003)

Um dos projetos mais ambiciosos da banda, Rheingold é baseado na ópera Der Ring des Nibelungen, de Richard Wagner. O disco reconta a história de: Alberich, Wotan, Siegfried, Valquírias, o ouro do Reno e o anel amaldiçoado.

Apesar da inspiração em Wagner, o álbum também incorpora elementos diretamente das sagas nórdicas e da mitologia germânica. Muitos fãs consideram este o disco mais "cinematográfico" do Grave Digger.

BALLADS OF A HANGMAN (2009)

Embora o título sugira um álbum de baladas, ele é um disco de heavy/power metal tradicional. A faixa-título gira em torno da figura do carrasco e das execuções públicas. "Hell of Disillusion" aborda o desencanto humano. "Pray" traz reflexões religiosas em tom sombrio. "Lonely the Innocence Dies" critica guerras e violência. "The Shadow of Your Soul" é uma das músicas mais melódicas do álbum.

Ballads of a Hangman marca uma fase em que a banda passou a preferir canções independentes em vez de um único conceito narrativo. Uma curiosidade interessante é que nele existe quase uma evolução temática na carreira do Grave Digger nesse período.

No mais, essa é uma sequência de discos que ajudou a consolidar a identidade do Grave Digger como uma das bandas de heavy/power metal mais dedicadas a transformar história, literatura e mitologia em álbuns épicos, algo que se tornou sua principal marca artística.

quinta-feira, 16 de julho de 2026

POLÍTICA

SEGUE O BONDE

Desde a Constituição de 1988, muita coisa mudou no Brasil — mas o comando da política, em muitos estados, continua nas mãos dos mesmos grupos. Fazendeiros, grandes empresários comerciais, industriais e famílias tradicionais seguem revezando o poder, administrando o dinheiro público como se fosse patrimônio particular.

Quase quarenta anos se passaram, e o discurso continua o mesmo: desenvolvimento, progresso e prosperidade. Na prática, boa parte da população ainda espera que essas promessas saiam do palanque.

Enquanto isso, os profissionais da política acumulam privilégios, ampliam seus redutos eleitorais e, não raras vezes, transformam mandatos em herança de família. O sistema se alimenta da própria sobrevivência, protegendo quem já está dentro dele.

Ao cidadão comum resta fazer malabarismo para pagar as contas, colocar comida na mesa e sobreviver em um país onde a desigualdade parece ser um projeto permanente. A política muda de slogan a cada eleição; o roteiro, porém, continua exatamente o mesmo.

terça-feira, 23 de junho de 2026

POLÍTICA

Buscaram o poder, mas perderam o rumo

Quem encontrou o caminho foi o povo


No governo do "acha", muita gente achou que já estava com a vitória no bolso, mas a realidade foi outra. O soldado Sampaio tentou chegar ao Palácio Senador Hélio Campos e levou uma surra nas urnas. Edilson Damião também sonhou com espaço no governo, mas foi nocauteado antes mesmo de embalar. Já Antônio Denarium alimentava o desejo de se tornar senador por Roraima, mas acabou trocando o projeto político por um longo período de inatividade forçada.

Enquanto isso, velhos caciques da política roraimense, como Romero Jucá e Teresa Surita, seguem rondando o cenário político, embora carreguem o desgaste de décadas de promessas, disputas e controvérsias.

A diferença é que o povo parece menos disposto a cair nas mesmas conversas. Roraima cansou de discursos prontos, acordos de bastidores e promessas recicladas a cada eleição. O que a população espera agora não é mais propaganda, mas resultado; não é mais narrativa, mas justiça; não é mais esperança vendida em palanque, mas mudanças reais batendo à porta de quem trabalha e sustenta este estado.

segunda-feira, 15 de junho de 2026

PATRIMÔNIO PÚBLICO

 Aurora do Extremo Norte

Por Michel Sales

Esta história foi inspirada no ensaio Memória, Patrimônio e Políticas Públicas na Amazônia e dialoga com reflexões desenvolvidas por estudiosos como Pierre Bourdieu, Pierre Nora, Marilena Chauí, Regina Abreu e Mário Chagas, que dedicaram suas pesquisas à compreensão das relações entre memória, cultura, identidade, poder e patrimônio.

A narrativa se passa em Aurora do Extremo Norte, uma cidade fictícia marcada pela diversidade cultural de seus habitantes. Ali, monumentos, prédios históricos, tradições, saberes populares, festas, narrativas orais e modos de vida formam um rico patrimônio cultural, construído ao longo das gerações.

Como em muitas cidades da “Amazônia”, Aurora do Extremo Norte possui leis, instituições e políticas públicas destinadas à proteção de sua memória coletiva. Arquivos, museus, conselhos culturais e órgãos de preservação atuam para garantir que parte dessa herança seja reconhecida e transmitida às futuras gerações. 

No entanto, permanecem desafios relacionados à invisibilização de memórias indígenas e tradicionais, à descontinuidade das políticas públicas, às pressões econômicas sobre os bens culturais e às disputas em torno de quais histórias merecem reconhecimento oficial.

sexta-feira, 29 de maio de 2026

TUDO É DELE

Nesta leitura simples e breve, vamos refletir um pouco sobre a vida e sobre tudo o que acontece ao nosso redor. 

Pensar no tempo, no espaço e nos caminhos da existência, começando por um olhar sutil, quase silencioso, e aos poucos ampliando a percepção para enxergar mais longe. 

Realmente, essa é uma leitura rápida, mas carregada de profundidade, capaz de nos conduzir a uma contemplação transcendente da grandeza Dele.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

TUDO É DELE

O tamanho de Deus é tudo... tudo aquilo que enxergamos, tudo aquilo que aprendemos com a vida, que vez ou outra capota, se desfaz e se reestrutura.

O tamanho de Deus não se mede, mas é possível imaginar sua infinitude diante dos limites da nossa existência.

Todavia, enxergar é mais do que ver; é transcender os limites do campo de visão. É também imaginar além da realidade, despertando o subconsciente para interpretar o caminho, usando as engrenagens do tempo e do espaço.

Imagine-se caminhando na Terra, em qualquer parte dela, transitando em sua própria casa. Então, você percebe o tamanho da Terra; percebe o tamanho da Lua e do Sol; percebe que, no Sistema Solar, também existem Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Mercúrio.

Sim, esse é o nosso Sistema Solar, dentro da Via Láctea, nossa galáxia repleta de estrelas massivas e buracos negros. Depois dela vem Andrômeda e tantas outras na vastidão do universo... são milhares e milhares.

Ou seja, tudo pertence a Deus; tudo isso é Deus, independentemente de crenças em deuses, da ausência delas ou mesmo da ciência, que não se ocupa da ideia de Deus. Deus está em tudo, e tudo é dele.

EDUCAÇÃO

Escritora roraimense Pétira Santos levará a literatura amazônica a eventos no Brasil, Itália e França Por Michel Sales Foto: Divulgação Após...