A república das promessas nunca entregues
Por Michel Sales
O Brasil é aquele milionário falido que mora numa mansão cheia de ouro enterrado no quintal, mas vive pedindo fiado na vendinha. Um país naturalmente rico, sim — de recursos, de paisagens, de promessas — mas governado há décadas por um elenco de trapalhões corruptos que transformaram o futuro em um meme deprimente.
A corrupção por aqui não é problema, é patrimônio cultural. Está entranhada como cupim em móvel antigo: ninguém vê, mas tudo range e quebra. Os politiqueiros se revezam no poder como se fosse um camarote vitalício, esbanjando o dinheiro público enquanto o povo torce pra conseguir parcelar o arroz.
Educação? Um faz de conta. Saúde? Um episódio de terror. Habitação? Só se for pra roedores. Tecnologia? Só se for pra espalhar fake news em velocidade 5G. O brasileiro médio virou um atleta da sobrevivência: salta buracos, dribla a fome, corre da violência e ainda sorri no Jornal Nacional pra mostrar resiliência.
E quando tudo parece perdido, vem o consolo nacional: apostas! O pobre aposta na raspadinha, na loteria, no pix premiado do WhatsApp, porque só assim resta alguma emoção na montanha-russa que é viver sem direitos. É o entretenimento da miséria — onde quem ganha continua perdendo e quem perde... bem, esse já está acostumado.
Enquanto isso, a pobreza se reproduz em série, como se fosse reality show, com novos episódios cheios de drogas, tiros, mentira institucionalizada e promessas recicladas. E o Brasil segue, gloriosamente, como um Titanic tropical: afundando com música, dança e uma elite rindo no convés.

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