Bruxas, papas, deuses e demônios no seu imaginário
Por Michel Sales
O Heavy Metal surgiu no final dos anos 1960 pela constante evolução do Rock N' Roll e logo se fez popular no mundo referindo a sonoridade de bandas como Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath, lendas inglesas que fincaram peso nas melodias, mesclando um ar sombrio nas composições. Neste período, o conceito de Rock Ópera também esteve em desenvolvimento, sendo rebuscado pela música clássica de Mozart, Händel ou Monterverdi, por exemplo.
Então,
em 1966 o guitarrista Pete Townshend apresentou para Kit Lambert (empresário e
produtor do The Who) a gravação ‘Gratis Amatis’ formada por vozes satíricas, no
que alguém teria chamado o som de ‘Ópera Rock’. Daí, Lambert exclamou: “Esta é
uma grande ideia!”. Assim, o The Who entrou em estúdio e gravou seu primeiro trabalho
operístico, a miniópera ‘A Quick One, While He's Away’, uma canção de nove minutos.
Nesta
época, a música fez um estrondoso sucesso e despertou sagacidade em várias bandas
que também propuseram narrativas consistentes, centradas em dramas humanos,
conflitos fantasiosos da literatura ou criaram novos enredos épicos. Assim,
ascendia a natureza das Óperas Rock.
Em
outubro de 1967, o grupo Nirvana lançava ‘The Story Of Simon Simopath’, o disco
é considerado um dos primeiros álbuns creditados no Rock N Roll englobando um
enredo completo em suas canções. No ano seguinte, em 1968, o Pretty Things
lançava ‘S.F. Sorrow’, trabalho que situava uma biografia musicada sobre o
personagem Sebastian F. Sorrow, “Do berço ao túmulo e da alegria à miséria”.
Então,
iniciando o ano de 1969, o The Who apresentou Tommy, o primeiro trabalho
musical denominado explicitamente uma Ópera Rock. O disco foi um grande sucesso
de vendas e logo deu origem a versões para o Teatro, Cinema e Balé. Tommy popularizou
ainda mais o The Who e creditou Pete Townshend como o pai do gênero, dose que
ele repetiria em Quadropheia, de 1973.
Contudo,
outros artistas ainda propuseram trabalhos do tipo Tommy, como o ‘The Kinks’
que lançou a experimentação: ‘Arthur - Or The Decline And Fall Of The British
Empire’, obtendo também grande êxito de público e crítica.
Os
anos 70 ainda registrariam as composições de Andrew Lloyd Webber e Tim Rice
apresentando a obra ‘Jesus Christ Superstar’, gravado e lançado como álbum
conceitual em 1970. Chegando em 1972, David Bowie logo encarou o mundo com sua
Ópera Rock - ‘The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars. O
disco contou a história de um astro do Rock sendo manipulado por alienígenas
diante do fim do mundo.
O
cantor Lou Reed também enveredou no gênero e lançou ‘Berlin’, uma Ópera Rock
trágica referindo o abuso de drogas, depressão e suicídio. Chegando em 1974, o
Genesis apresentou ao público ‘The Lamb Lies Down On Broadway’, musicando uma
história surreal sobre um jovem à procura de seu irmão desaparecido. Já em
1975, o Queen lançava a espetacular canção ‘Bohemian Rhapsody’, tornando a
música dentre as mais conhecidas na junção Rock Ópera.
Outra
banda inglesa atuando sobre o conceito operístico foi o Pink Floyd lançando o
aclamado ‘The Wall’ (1979), um trabalho totalmente elaborado em encenações
teatrais pela banda, o que tornou o disco um dos mais famosos do gênero. No
mesmo ano, Frank Zappa apareceu com Joe's Garage, uma Ópera Rock em três atos
resumindo a vida do jovem músico Joe, que encara um futuro despótico onde a
música é ilegal.

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