domingo, 26 de setembro de 2021

ROCK & METAL OPERA

Bruxas, papas, deuses e demônios no seu imaginário

Por Michel Sales

Heavy Metal surgiu no final dos anos 1960 pela constante evolução do Rock N' Roll e logo se fez popular no mundo referindo a sonoridade de bandas como Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath, lendas inglesas que fincaram peso nas melodias, mesclando um ar sombrio nas composições. Neste período, o conceito de Rock Ópera também esteve em desenvolvimento, sendo rebuscado pela música clássica de Mozart, Händel ou Monterverdi, por exemplo.

Então, em 1966 o guitarrista Pete Townshend apresentou para Kit Lambert (empresário e produtor do The Who) a gravação ‘Gratis Amatis’ formada por vozes satíricas, no que alguém teria chamado o som de ‘Ópera Rock’. Daí, Lambert exclamou: “Esta é uma grande ideia!”. Assim, o The Who entrou em estúdio e gravou seu primeiro trabalho operístico, a miniópera ‘A Quick One, While He's Away’, uma canção de nove minutos.

Nesta época, a música fez um estrondoso sucesso e despertou sagacidade em várias bandas que também propuseram narrativas consistentes, centradas em dramas humanos, conflitos fantasiosos da literatura ou criaram novos enredos épicos. Assim, ascendia a natureza das Óperas Rock.

Em outubro de 1967, o grupo Nirvana lançava ‘The Story Of Simon Simopath’, o disco é considerado um dos primeiros álbuns creditados no Rock N Roll englobando um enredo completo em suas canções. No ano seguinte, em 1968, o Pretty Things lançava ‘S.F. Sorrow’, trabalho que situava uma biografia musicada sobre o personagem Sebastian F. Sorrow, “Do berço ao túmulo e da alegria à miséria”.

Então, iniciando o ano de 1969, o The Who apresentou Tommy, o primeiro trabalho musical denominado explicitamente uma Ópera Rock. O disco foi um grande sucesso de vendas e logo deu origem a versões para o Teatro, Cinema e Balé. Tommy popularizou ainda mais o The Who e creditou Pete Townshend como o pai do gênero, dose que ele repetiria em Quadropheia, de 1973.

Contudo, outros artistas ainda propuseram trabalhos do tipo Tommy, como o ‘The Kinks’ que lançou a experimentação: ‘Arthur - Or The Decline And Fall Of The British Empire’, obtendo também grande êxito de público e crítica.

Os anos 70 ainda registrariam as composições de Andrew Lloyd Webber e Tim Rice apresentando a obra ‘Jesus Christ Superstar’, gravado e lançado como álbum conceitual em 1970. Chegando em 1972, David Bowie logo encarou o mundo com sua Ópera Rock - ‘The Rise And Fall Of Ziggy Stardust And The Spiders From Mars. O disco contou a história de um astro do Rock sendo manipulado por alienígenas diante do fim do mundo.

O cantor Lou Reed também enveredou no gênero e lançou ‘Berlin’, uma Ópera Rock trágica referindo o abuso de drogas, depressão e suicídio. Chegando em 1974, o Genesis apresentou ao público ‘The Lamb Lies Down On Broadway’, musicando uma história surreal sobre um jovem à procura de seu irmão desaparecido. Já em 1975, o Queen lançava a espetacular canção ‘Bohemian Rhapsody’, tornando a música dentre as mais conhecidas na junção Rock Ópera.

Outra banda inglesa atuando sobre o conceito operístico foi o Pink Floyd lançando o aclamado ‘The Wall’ (1979), um trabalho totalmente elaborado em encenações teatrais pela banda, o que tornou o disco um dos mais famosos do gênero. No mesmo ano, Frank Zappa apareceu com Joe's Garage, uma Ópera Rock em três atos resumindo a vida do jovem músico Joe, que encara um futuro despótico onde a música é ilegal.

Assim, na pegada do Rock N’ Roll e suas grandiosas Óperas Rock, centenas de bandas de Heavy Metal também passaram a desenvolver Metal Óperas, principalmente no inicio do século XXI. Nomes como Avantasia, Aina, Avalon, Soulspell, Ayreon, Star One, Hamlet, Nikolo Kotzev’s - Nostradamus, Genius - A Rock Ópera, Therion, Beto Vazquez - Infinity, Gary Hughes e outras bandas fizeram nome na cena incluindo diversos vocalistas e arranjadores como um esforço colaborativo, embora não represente um padrão a ser seguido, mas dentre eles destacaram-se: Jorn Lande (Ex-Masterplan), Glenn Hughes (Ex-Deep Purple), Michael Kiske (Helloween), Tobias Sammet (Edguy), Timo Kotipelto (Satratovarius), Joe Lynn Turner (Rising Force), Damian Wilson (Arena), Edu Falaschi (Almah), André Matos (Shaman), Fabio Lione (Angra), Tony Kakko (Sonata Arctica), Eric Singer (Kiss), Klaus Meine (Scorpions), Hansi Kurcsh (Blind Guardian) e outros músicos que interpretaram personagens caricatos dentre os mais distintos subgêneros do Metal - Prog, Power, AOR, Hard - buscando situar total meditação no imaginário do ouvinte. Contudo, os shows também são interessantes de presenciar, vide a elaboração de palco, sistemas de iluminação e demais objetos inclusos no cenário, além da trama.


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