Riffs pesados e refrões chicletes em Revel In Time
Por Michel Sales
No fim do período mais crítico da pandemia de Covid-19, o multi-instrumentista Arjen Anthony Lucassen lançou Revel in Time (2022), terceiro trabalho do projeto Star One. Diferente do Ayreon, aqui Lucassen abandona quase completamente os elementos folk e mergulha em uma abordagem mais direta, pesada e orientada ao metal.
Desde Victims of the Modern Age (2010), Revel in Time chega com vontade de expandir a identidade do Star One, mas também sem repetir a fórmula de Space Metal (2002). O resultado é um disco que mantém a base do metal progressivo, mas incorpora com mais evidência elementos de hard rock, power metal e música eletrônica, criando uma sonoridade densa, moderna e, evidentemente, cinematográfica.
O conceito gira em torno da viagem no tempo, explorada como um mosaico de possibilidades: paradoxos, futuros distópicos, revisões históricas e dilemas existenciais. Cada faixa funciona como uma variação desse tema, reforçando a ideia de que o tempo, aqui, é tanto ferramenta quanto ameaça. A construção musical acompanha esse conceito, alternando momentos de tensão, expansão e ruptura.
As referências de ficção científica aparecem dialogando com obras como Interstellar, Back to the Future, Doctor Who, The Terminator e Bill & Ted's Excellent Adventure. Essas influências ajudam a sustentar a atmosfera sci-fi que atravessa todo o álbum.
Lançado como disco duplo, Revel in Time apresenta duas versões das mesmas faixas, cada uma interpretada por vocalistas diferentes — uma escolha que reforça a proposta conceitual ao oferecer múltiplas leituras para o mesmo material. Entre os nomes convidados estão Russell Allen, Jeff Scott Soto, Joe Lynn Turner, Damian Wilson, Dan Swanö, Floor Jansen e Tony Martin, entre outros.
No mais, Revel in Time é um trabalho sólido, bem produzido e conceitualmente coerente, que reforça a capacidade de Lucassen de criar universos musicais complexos sem perder acessibilidade.
Nota: 7

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