O motor barulhento, rápido e construído para rodar
Por Michel Sales
Fight the Fear, o quarto trabalho solo do guitarrista alemão Herman Frank (Accept, Victory), chegou em 2019 como um verdadeiro petardo de Heavy Metal. Riffs pesados, refrões grudentos e uma atmosfera agressiva se encontram em uma sonoridade que equilibra a tradição do metal clássico com uma produção contemporânea, transitando pela mesma estrada de nomes como Judas Priest, Dio e Motörhead.
Neste disco, os riffs afiados de Frank encontram as vocalizações poderosas de Rick Altzi (Masterplan, At Vance), formando uma combinação que funciona muito bem. A voz de Altzi acrescenta peso, personalidade e dramaticidade às composições, estabelecendo uma conexão particularmente eficiente com as guitarras de Frank. O resultado é um álbum vigoroso e, em vários momentos, ainda mais impactante que seus trabalhos anteriores.
A própria estética de Fight the Fear parece ter saído de uma garagem tomada por óleo, gasolina e amplificadores no talo. A capa, com sua motocicleta customizada, traduz perfeitamente o espírito do disco: estrada, velocidade, couro, gasolina, liberdade e atitude. É Heavy Metal com cheiro de asfalto quente e motor acelerado.
Entre os destaques, “Until the End” abre o álbum de maneira certeira, com um riff imediatamente marcante, bateria pesada e os vocais entrando com força. “Fear” acelera ainda mais o motor e entrega uma das faixas mais agressivas do disco, funcionando como uma excelente porta de entrada para a sonoridade de Frank.
Em “Terror”, o clima ganha contornos quase mecânicos, como uma máquina de guerra avançando sem freios. Já “Hatred” reduz um pouco a velocidade, mas compensa com peso e um refrão que carrega aquela atmosfera clássica do Heavy Metal alemão.
“Hitman” pisa no acelerador com uma pegada mais rock'n'roll e um balanço tipicamente oitentista. “Don't Cross the Line”, por sua vez, aposta em uma atmosfera mais ameaçadora, sustentada por um riff poderoso e direto.
E então chega “Wings of Destiny”, uma das grandes peças do álbum. A faixa consegue equilibrar agressividade, melodia e uma dimensão mais épica, sem perder a identidade pesada que percorre todo o disco. É provavelmente um dos momentos em que Frank melhor demonstra sua capacidade de transformar riffs tradicionais em algo grandioso.
No encerramento, “Lost in Heaven” funciona como um respiro depois de toda a aceleração. A faixa desacelera o ritmo e encerra o álbum de maneira mais contida, criando um contraste interessante com a pancadaria que veio antes.
No fim das contas, Fight the Fear não pretende reinventar o Heavy Metal — e talvez esteja justamente aí sua maior virtude. Herman Frank conhece profundamente a fórmula e sabe exatamente como fazê-la funcionar: guitarras pesadas, riffs cortantes, solos, refrões e muita atitude.
No mais, Fight the Fear é um disco para ouvir alto, acelerar a máquina e deixar o som tomar conta, pois ele é realmente um discaralhooooo! - o melhor trabalho solo de Herman Frank – na minha opinião. Portanto, aperte o play, aumente o volume e aprecie sem moderação.
Nota: 10


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